Política de Fato

OPINIÃO: em Carira, santos de casa já não fazem mais milagres

Confira uma análise sobre a sucessão municipal.


08/04/2020 20:32 - Atualizado em 08/04/2020 21:00

[*] por Mateus Lima

Existe um ditado que diz que santo de casa também faz milagre. De autor desconhecido, a frase traz à tona um contexto em que as soluções caseiras devem ser, teoricamente, melhor aproveitadas antes que sejam convocadas, ou utilizadas, soluções vindas de fora. Em muitos casos, nem sempre essa teoria funciona. Quando o santo de casa não fizer os milagres, a quem recorrer?

Em tempos de pandemia, crise política também deve ser colocada em pauta, afinal, será em 2020 que as pessoas escolherão os representantes para os próximos quatro anos, com ou sem coronavírus. Voltando os olhos ao fim do agreste e início do sertão sergipano, Carira é um dos municípios que merece uma análise mais aguçada por estar em uma crise administrativa que parece ser permanente. Entra grupo, sai grupo e a cidade continua na mesma.

Se de um lado temos o eterno revezamento entre Negão e Bosco – Bosco e Negão -, do outro temos uma concorrência que está começando a ficar acirrada entre os novos pleiteantes que miram no desgaste de ambos os agrupamentos. De um lado temos o médico aracajuano Dr. Robson, do outro temos o bacharel em direito carirense Júnior de Leonídia e foi na origem de cada um que busquei a inspiração para o início do texto. A pré-campanha de Júnior, disseminada por correligionários em grupos de whatsapp, cisma em bater em Robson pelo fato dele não ser de Carira. Apesar de ter residência fixa e de trabalhar há mais de 7 anos no município, esse parece ser o único empecilho encontrado pela oposição para que Robson não tenha o sucesso das urnas.

Vamos aos fatos: Se as prefeituras passassem por procedimentos médicos, o município de Carira estaria numa UTI. Economia fragilizada, prefeitura inchada, salários atrasados e uma máquina que não funciona. Os carirenses estão cada vez mais sem dinheiro no bolso, enquanto a riqueza é concentrada apenas nas mãos de grandes fazendeiros que cultivam o milho, abrindo um parêntese para destacar a importância dessa turma. Se não fossem eles, Carira já teria falido.

Apostar num discurso de ódio, de desmerecimento e de desconstrução da imagem de um pré-candidato que busca uma solução para um problema de anos, ao qual nenhum dos de casa buscou uma solução: é atirar em um alvo em movimento, com pouca possibilidade de sucesso. Sugiro aos pré-candidatos, novos, antigos e demais que estejam de olho na prefeitura de Carira que tragam o debate ao campo das ideias. Assim, o povo que há anos sofre, tem pelo menos algumas opções com propostas concretas de mudança, seja por parte de quem for. Aos carirenses, deixo o meu alerta: quando o santo de casa não fizer mais milagre, podem rezar pra outro que ele pode resolver.

* Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Tiradentes.