Política de Fato

OPINIÃO: Bolsonaro sabota seu próprio governo

[*] Por Uilliam Pinheiro.


25/04/2020 14:50 - Atualizado em 25/04/2020 14:53

A demissão e as falas contundentes do ex-juiz Sérgio Moro na sua coletiva de despedida mostraram claramente que o presidente Jair Bolsonaro usou a bandeira do combate à corrupção somente para se eleger e que esta pauta nunca fora sua prioridade. Mais uma vez, os brasileiros se frustram com um político que usa somente de discurso/promessa, mas não exerce na prática.

Este que escreve este artigo não votou em Jair Bolsonaro.

Considero o presidente sem nenhuma capacidade técnica e mental para ocupar o maior cargo da Nação. O ex-ministro Sérgio Moro tem meu respeito e minha solidariedade. Deixou 22 anos de magistratura e, consequentemente uma vida financeiramente confortável, acreditando que poderia contribuir no Executivo na ampliação do combate à corrupção e no combate ao crime organizado, mas foi vítima de um presidente egocêntrico, insano e sem nenhuma capacidade técnica nem política.

Sérgio Moro ficará para história do combate à corrupção por sua atuação corajosa na Operação Lava Jato. Tem meu respeito e minha admiração por não baixar a cabeça diante das pressões para que houvesse interferência na Polícia Federal e saí do Governo Federal muito maior que o presidente Jair Bolsonaro.

O governo prometido por Bolsonaro acabou (como profetizou muito bem na última quinta-feira, 23/04, o senador Alessandro Vieira em um post de tweet). E foi o próprio presidente Jair Bolsonaro que cavou sua própria cova. Demitiu o Mandetta. Tirou de cena o Guedes com o plano pífio do Pró-Brasil e agora forçou a demissão de Sérgio Moro. Bolsonaro, nesse momento, é mais nocivo ao Brasil do que o próprio vírus do Covid-19.

E falando em pandemia, esse deveria ser o principal inimigo do presidente Jair Bolsonaro, mas desde o início ele menospreza a pandemia dizendo que é apenas uma “gripezinha” que como a chuva logo passará. Enquanto isso, os brasileiros choram por seus familiares e nem ao menos podem se despedir de forma honrosa.

Infelizmente, o Brasil num momento tão difícil, vivendo uma pandemia, terá que enfrentar mais uma crise política. Mas tenho esperança que vamos superar e nossa jovem democracia irá saí mais amadurecida desse processo.

[*] Uilliam Pinheiro é ativista Social e graduado em Ciências Econômicas.