Com autoria de Elber, audiência pública discute Escala 6x1 na CMA


15/05/2026 16:49

Na tarde desta quinta, 14, uma audiência pública de autoria do vereador Elber Batalha (PSB) discutiu a Escala 6x1 no plenário da Câmara Municipal de Aracaju (CMA). A sessão reuniu movimentos sociais, comerciantes, empresários, autoridades e o público em geral para falar sobre as perspectivas da mudança com a aprovação do projeto que tramita em Brasília. 

Durante o seu trabalho na casa, Elber já abordou o assunto se mostrando a favor do final da jornada. Na audiência, ele lembrou a sua história, contando que foi comerciário e explicando o objetivo de sua indicação. “É um projeto que vai mudar totalmente a dinâmica das relações de trabalho no Brasil afora. A discussão hoje não é colocar patrão contra empregado e vice-versa, mas entendermos que o mundo se moderniza, que as relações de trabalho se modificam e que a humanização dessas relações, colocando mais vida no trabalho de cada cidadão, é de suma importância pra saúde física, mental desses trabalhadores e dessas trabalhadoras”, afirmou o parlamentar. 

Durante o seu pronunciamento, ele reforçou ainda a importância da vida social na rotina desses brasileiros. “Alguém que trabalha no regime seis por um e que tem uma relação com seu companheiro ou com sua companheira que também trabalha nisso, as pessoas mal se veem, porque o patrão é quem dita o dia da folga deles. Essa redinamização é essencial para o modelo de sociedade que nós queremos, que é um modelo de sociedade humanizado, em que se trabalhe para viver e não se viva pra trabalhar”. 

Para Luan Almeida, presidente do Sindicato dos Comerciários, essa não é uma disputa entre empregado e patrão. “É um pleito histórico da classe trabalhadora e também um pleito de justiça social. É um entendimento que já era pra ter ocorrido. E hoje o fim da escala seis por um representa a dignidade e o respeito à classe trabalhadora. E a contrapartida da classe empresarial é dar esse apoio, é fortalecer essa luta, porque é uma luta que, define o rumo de muito pai e muita mãe de família no Brasil”, declarou. 

Flávio Vinicius, membro da diretoria do Sindipema, marcou presença e falou sobre esse momento. “Nós temos a oportunidade de acabar com essa jornada extenuante de trabalho da população brasileira. A maioria dos países desenvolvidos já acabaram com o trabalho de 44 horas. Está nos estudos científicos que, além de melhorar a vida do trabalhador, melhora também a economia, diferente do que as pessoas dizem que vai causar desemprego ou vai piorar a economia das empresas”.

O presidente da Federação dos Comerciários de Sergipe, Ronildo Almeida, destacou as consequências de tantos anos desse sistema. “Nós temos observado muito adoecimento por conta dessa exploração, desse trabalho contínuo, jornadas exaustivas. É muito importante que se discuta com transparência. Isso agora é a devolução daquilo que a classe trabalhadora espera”, comentou. 

A vereadora Sônia Meire (PSOL) compareceu à ocasião e opinou sobre o projeto. “É um assunto extremamente polêmico porque tem vários interesses em jogo. Do trabalhador, é reduzir o nível de exploração, que já tem trabalho, já tem salários baixos e trabalha numa carga exaustiva, que ela não consegue sobreviver. Para o empresariado, ele acha que vai perder dinheiro, mas nós dizemos que é o contrário. Já existem várias experiências que mostram um aumento inclusive de produtividade, porque as pessoas estão numa situação bem melhor. Saúde mental e a saúde laboral, elas são fundamentais”, disse. 

O vereador Iran Barbosa (PSOL) se somou à causa e ocupou o púlpito para explicar a pauta com relação ao capitalismo. “Acumulamos saber, conhecimento e tecnologia que tinham que servir para libertar da escravidão do trabalho. Mas não, já que a lógica do capitalismo é usada para isso, e sim para continuar acumulando riqueza e ampliando o lucro de uma parcela da população”. 

A deputada estadual Linda Brasil (PSOL) compareceu e na tribuna, opinou sobre o tema. “Se isso for implementado, a qualidade do trabalho melhora, o resultado e tenho certeza que o lucro também. Isso ajudará muito na qualidade de vida e na eficiência da função. É um debate importante e tentarei levar para a Alese também”, contou, elogiando a ideia do vereador Elber. 

A advogada Andrea Leite, representou a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Sergipe (OAB/SE), levou a sua colocação como mulher e profissional. “Essa é uma opinião pessoal e falo pensando no lado das mulheres que precisam conciliar tudo em meio a essa jornada. Neste ano de 2026, há uma série de mudanças na legislação trabalhista e isso tudo para evitar os impactos do trabalho também na vida pessoal. A gente precisa de uma visão cada vez mais humanizada e evitar discussões ideológicas, mas que se veja pela ótica humana”. 

Robson Pereira, diretor da Fecomercio, representou a instituição e ressaltou o ponto de vista dos empresários na oportunidade. “Costumo dizer que sempre existe uma conta pra ser paga. E a conta você paga ou na entrada, ou você paga na saída, mas nunca vai deixar de ser paga. A Fecomércio não tem nada contra melhorar as condições dos trabalhadores. Até porque nós entendemos o nosso papel social, nós não somos apenas empresários. A preocupação é que vai sobrar uma conta pra pagar e até agora não se identificou como é que fica essa conta ou quem vai pagar essa conta”. 

Fonte: Câmara Municipal de Aracaju
Foto: China Tom


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